Escalas que despertam: a primeira vez em Dubai rumo às Maldivas
O avião toca o chão em Dubai e, por alguns segundos, você não sabe se está mais perto das Maldivas ou de outro planeta. Lá fora, antes de pousar, o deserto parecia um tecido bege, sem costura. Lá dentro, agora, o aeroporto é o contrário: brilho, linhas, placas, gente apressada em todos os idiomas. Você levanta do assento com as pernas meio bambas — não só pela mesma altura que ainda te apavora, mas porque é a primeira vez. O corpo, que passou o voo inteiro com medo do céu, ainda está aprendendo o verbo “voar”. A porta se abre, e o ar condicionado do finger te envolve com aquele cheiro de lugar fechado e limpo demais, um misto de carpete, perfume caro e metal. O corredor é longo, iluminado, e você segue o fluxo, só para não ser o único parado. Tanta gente indo e vindo que a sola do seu sapato quase perde o próprio ritmo. À esquerda, uma cabine de vidro com alguém sentado atrás de um computador; à direita, uma placa de letras grandes, firmes, azuis: TRANSFER, CONNECTION, ARRIVALS. ...